Este é um blog de poesia. Mas, como o título indica, não de poesia comportada e/ou confessional que existe pelaí... Nada temos contra esse tipo de poesia, mas queremos provocar o "Pô!?" nos que nos lêem. Aquele ângulo irreverente... aquela resposta desconcertante... é isso, uma poesia que, sem surpresas, tenta ainda surpreender... Se conseguirmos, tudo bem. Se não, ao menos tentamos (e nos divertimos). Se gostou, una-se a nós. Siga o blog, comente e divulgue.
Arte ao fundo de Francisco Mibielli
12 de maio de 2010
sou o que não sou
e de tanto ser
o que não sei
acabo sendo
meu próprio rei
mando em mim mesmo
e se me desobedeço
é só para provar
que ainda sou livre
Quanto a este poema, de maneira particular, acho a filosofia shahespeareana do "ser ou não ser" muito batida. Para mim, a poesia, assim como as crianças, devem ser mensageiras de novidades. Não obstante, você desenvolveu muito bem a fórmula:
Ser ou não ser = sou o que não sou/e de tanto ser/o que não sei/acabo sendo
Ao anunciar o reinado do poeta, a ilusão do domínio, portanto, encontra-se a harmonia da rima “sei” com “rei”. Agora, quando se lê que a prova da desobediência é a liberdade, ocorre o milagre poético, pois o poder do rei é entregue ao leitor com a mesma suavidade que o trono solar é entregue à lua, num ritual de ocasos.
Charles e Isabella, tudo nesse poema é contradição (aliás, ele é, imodestamente, um de meus prediletos). A fórmula "ser ou não ser" é realmente batida, por isso, ainda surpreende que alguém a use. O poeta não se sabe e não se sabendo cai em contradição como todo ser humano. Mas como privilegiado, que é, registra a contradição pq nela reside a beleza de ser-se humano e rei/escravo de si mesmo. Um beijo em ambos Mibi
Parafraseando o poeta, "a dualidade é o sol que não deixa o juízo apodrecer". Se invertidas as estrofes, o poeta exercita a sua liberdade e se permite ousar.Na fase seguinte o conflito aprisiona, mas o rei, soberano, liberta. Quem é esse rei? sou,sei,sendo, ser, ser rei, errei. Parabéns Roberto, aprionas os elementos dêiticos e indultas a imaginação.
Míriam e Aggtxra, é um prazer vê-los pelo blog comentando os poemas. Prazer maior ainda é saber que ele agrada. O poema brinca com a antítese sim, mas até mesmo ela é contradita, numa espécie de "vingança" do sentido poético. O "ser" ou "não ser", ambos formas do "existir" acabam sendo ignorados pelo não saber-se. O que detona uma série de possibilidades poéticas. Um grande abraço em ambos e sempre que puderem apareçam com suas criticas...
8 comentários:
Quanto a este poema, de maneira particular, acho a filosofia shahespeareana do "ser ou não ser" muito batida. Para mim, a poesia, assim como as crianças, devem ser mensageiras de novidades. Não obstante, você desenvolveu muito bem a fórmula:
Ser ou não ser = sou o que não sou/e de tanto ser/o que não sei/acabo sendo
Ao anunciar o reinado do poeta, a ilusão do domínio, portanto, encontra-se a harmonia da rima “sei” com “rei”. Agora, quando se lê que a prova da desobediência é a liberdade, ocorre o milagre poético, pois o poder do rei é entregue ao leitor com a mesma suavidade que o trono solar é entregue à lua, num ritual de ocasos.
Meu beijo de servo e aprendiz de tuas lindezas.
Charles.
Mibi!!
é lindo saber que temos esse poder, de nos dizer e desdizer em seguida...pelo menos na poesia!
bj
Charles e Isabella, tudo nesse poema é contradição (aliás, ele é, imodestamente, um de meus prediletos). A fórmula "ser ou não ser" é realmente batida, por isso, ainda surpreende que alguém a use. O poeta não se sabe e não se sabendo cai em contradição como todo ser humano. Mas como privilegiado, que é, registra a contradição pq nela reside a beleza de ser-se humano e rei/escravo de si mesmo.
Um beijo em ambos
Mibi
Parafraseando o poeta, "a dualidade é o sol que não deixa o juízo apodrecer". Se invertidas as estrofes, o poeta exercita a sua liberdade e se permite ousar.Na fase seguinte o conflito aprisiona, mas o rei, soberano, liberta. Quem é esse rei? sou,sei,sendo, ser, ser rei, errei.
Parabéns Roberto, aprionas os elementos dêiticos e indultas a imaginação.
Um abraço, Agnaldo
complemento...
onde lê-se aprionas, leia aprisionas.
thanks!
Neste poema podemos observar que está presente a antítese.
Neste poema pude perceber a presença da antítese, bacana.
Míriam e Aggtxra, é um prazer vê-los pelo blog comentando os poemas. Prazer maior ainda é saber que ele agrada. O poema brinca com a antítese sim, mas até mesmo ela é contradita, numa espécie de "vingança" do sentido poético. O "ser" ou "não ser", ambos formas do "existir" acabam sendo ignorados pelo não saber-se. O que detona uma série de possibilidades poéticas. Um grande abraço em ambos e sempre que puderem apareçam com suas criticas...
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